O peso da consciência

Muito se fala em consciência nos dias de hoje. Mesmo sem a necessidade de entender a fundo sobre toda essa transformação, já é possível notar que existe um importante processo pelo qual o mundo está passando. Este é um momento de despertar coletivo, que se inicia com o surgimento de crises de significado que provocam reflexões profundas na humanidade.

Transcendendo a seara pessoal, a consciência chegou também às organizações. Empresas conscientes são aquelas que têm total conhecimento do seu impacto no todo, e por isso pensam e pautam seus processos com base na redução dos impactos negativos que poderá causar ao planeta e à sociedade.

O que pouco se fala – ainda – é sobre as consequências de ser consciente.

Porque a consciência também tem o seu peso.

Valores conscientes implicam, quase que necessariamente, em uma parcela de sofrimento. Ao se declarar consciente – ou ao menos ao defender este modo de gestão – a organização se submete a críticas pesadas, afinal de contas, a partir de agora as atenções estarão mais do que nunca voltadas pra ela.

  • Ser consciente exige vigilância contínua. A cada passo dado, muito cuidado. É importante analisar cada detalhe, cada possível reverberação daquilo que está sendo feito. O que essa ação poderá impactar aos demais? Como reduzir os efeitos negativos?
  • Ser consciente limita a liberdade estratégica e operacional. A partir de agora, a ordem não é seguir o caminho mais fácil – e algumas vezes nem o mais rentável – mas sim escolher o caminho mais correto. Menos degradante, menos maléfico. O todo vem antes do individual.
  • Ser consciente desperta a atenção – nem sempre positiva – dos demais. Afinal de contas, é natural e humano que atitudes positivas alheias possam nos causar certo incômodo, nos fazendo sentir como párias – no caso de efetivamente sermos, é claro!

Mas apesar de tais pesares, ser consciente é simplesmente mágico. Se sentir parte do todo – e saber que suas atitudes colaboram para a construção de um todo mais sustentável – é a melhor fórmula para deitar a cabeça no travesseiro e manter o coração tranquilo, sem pesar a consciência.